PREVIVAG
Instituto Seguridade Social dos Servidores Municipais de Várzea Grande

Fiocruz capacita rede intersetorial socioassistencial sobre o tema suicídio em Várzea Grande

15 de setembro de 2017

A ideia é criar uma linha de cuidados com os focos em prevenção, assistência e monitoramento

 

Com o objetivo de intensificar a prevenção ao suicídio em Várzea Grande, a Secretaria de Saúde do município e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão qualificando servidores integrantes do ‘programa Redes’ para os trabalhos e atendimento em vários setores da saúde pública. A ideia é criar uma linha de cuidado com os focos em prevenção, assistência e monitoramento. Participam da capacitação colaboradores das secretarias municipais de Saúde, Educação, Assistência Social e Defesa Social.

Segundo a coordenadora de Saúde Mental de Várzea Grande, Luciana Fontes Kalix, desde abril deste ano estão sendo promovidas palestras com os consultores da Fiocruz e do Ministério da Saúde com o tema suicídio e depressão. “E necessário integrar ações de atendimento nas unidades de saúde, Centros de Assistência Psicossocial (Caps), Centros de Referência em Assistência Social (Cras) além de nossos enfermeiros, guardas municipais, assistentes sociais e agentes de saúde em geral, pois eles que têm contato direto com o atendimento às pessoas e precisam estar aptos a lidar com pacientes em crise”, explica Luciana Kalix.

O palestrante, Marcelo Kinati, explicou que o suicídio está frequentemente relacionado com a depressão, mas não decorre exclusivamente dessa doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Em sua exposição, o psiquiatra destacou a importância da análise dos dados sobre suicídios como uma ferramenta para se repensar as ações de assistência atualmente praticadas no serviço de saúde. “O suicídio tem uma característica, segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde, que a pessoa que tenta uma vez provavelmente vai tentar novamente. Então a gente tem que monitorar os casos e prestar todo o cuidado, porém a vigilância é fundamental”, destacou.

O especialista também chamou a atenção à prevenção do suicídio que demanda um tratamento precoce e eficaz, com formação adequada, qualificando melhor as emergências e os profissionais que fazem o atendimento de ponta. “As políticas de saúde devem estar incorporadas nesse processo de prevenção. A sociedade é uma peça chave nessa questão. Casos de suicídio poderiam ser evitados se os profissionais que atendem as pessoas e famílias estivessem atentos aos sintomas. Na atualidade o modelo adotado para o tratamento desse problema é a depressão, mas isso não significa que o suicídio só venha a ocorrer por conta dela. Junto com a depressão há a impulsividade, as situações de personalidade, a violência e quando soma-se todos esses sintomas, surge a possibilidade do suicídio”, explicou.

A coordenadora de Saúde Mental de Várzea Grande, Luciana Fontes Kalix, destaca que setembro é em todo país lembrado como o mês de conscientização do problema. “No ano passado foram 09 casos de suicídio registrados em Várzea Grande. Este ano até o mês de agosto já foram registrados 15 casos. Por isso temos que valorizar os pedidos de socorro e ser sensíveis a eles, o que exige treinamento das equipes profissionais em lidar com situações específicas. O suicídio é a prova e a contraprova de uma situação pertinente, que não dá avisos, que não é uma doença, uma entidade clínica ou uma síndrome, mas sim um desfecho descrito epidemiologicamente de uma situação de crise grave”, afirmou a coordenadora, ressaltando ainda que é fundamental o papel de todos os envolvidos em um ambiente hospitalar no caso de crise de suicídio. “Essa é uma emergência médica praticamente impossível de conter a situação por isso da necessidade de capacitar toda a rede de serviços”, ponderou.

Para a enfermeira Ivete Teixeira, as palestras junto aos consultores da Fiocruz estão sendo fundamentais para o conhecimento. “Estamos compreendendo melhor os riscos e a gravidade do problema, também estamos discutindo em como lidar com possíveis emoções negativas e tratamento adequado a ser adotado”, declarou.

Várzea Grande é um dos 51 municípios brasileiros que executam o “projeto Redes” e o único na região Centro-Oeste do Brasil que coloca em prática os cursos de capacitação oferecidos pela Fiocruz aos professores e agentes de saúde e de segurança, segundo Márcia Tortugui, interlocutora da região Centro Oeste do projeto Redes na Fiocruz. “Estamos satisfeitos com os resultados do município de Várzea Grande, o qual consideramos exemplar pela mobilização e atuação do comitê gestor do ‘programa Redes’ e é o único atualmente que coloca em prática o aprendizado da capacitação. Significa dizer que será o primeiro a obter resultados no enfrentamento preventivo contra as drogas, suicídio e outros temas que devem ser tratados como questão de saúde pública”, avaliou Tortugui.

Fonte: Prefeitura Municipal de Várzea Grande

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